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Juíza desmente adoção de crianças desabrigadas em Teresópolis PDF Imprimir E-mail
Escrito por Monique Cardone   

Ela disse que o processo de adoção não será acelerado por conta da tragédia.

A juíza Inês Joaquina Coutinho, da vara da Infância e da Juventude de Teresópolis, visitou, neste domingo (16), o abrigo Pedro Jahara, o Pedrão, onde estão chegando os desabrigados das chuvas da região. Ela desmentiu que as crianças órfãs poderiam ser adotadas imediatamente. A Defesa Civil e a Prefeitura da Teresópolis divulgaram a abertura do processo de cadastramento para casais interessados em adotar crianças que ficaram órfãs na tragédia.

- Estamos aqui para assegurar o bem-estar e a proteção das crianças. Não é verdade que vamos agilizar um processo de adoção ou colocar crianças órfãs temporariamente em casas de pessoas estranhas. Temos abrigos para receber elas provisoriamente até que haja um processo regular de adoção.

A juíza informou que já existem pessoas cadastradas e, em caso de adoção, as crianças serão encaminhadas para famílias habilitadas.

- Mas, até sexta-feira quando fizeram o último levantamento, não havia nenhum órfão. Muitos perderam o pai ou a mãe, mas não chegou ao nosso conhecimento alguém que tenha perdido os dois.

Às 9h30 deste domingo, uma fila de pessoas interessadas em adotar uma criança começou a se formar na porta da sala improvisada para Inês. Dentre elas estava a pensionista Nilza Rocha Rodrigues.

- Eu vim porque ouvi que poderíamos adotar uma criança aqui. Já queria fazer isso há muito tempo e prefiro adotar uma que esteja precisando mesmo de carinho e amor diante dessa catástrofe.

Para a tristeza de Nilza, a juíza informou que os procedimentos de adoção que surgirem vão seguir normalmente conforme a lei, mesmo diante de uma situação de tragédia.

- Essas pessoas foram mal informadas. Não vão adotar ninguém aqui hoje. Esse é um processo cuidadoso, que exige triagem, adaptação, regulamentação. E também não é benéfico para a criança passar por diversas residências nesse momento de traumatismo.

Segundo a juíza, as crianças continuarão com as famílias em abrigos. Os menores órfãos que chegarem aos abrigos serão levados para o orfanato da vara da Infância e da Juventude.

Tragédia das chuvas

O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro na terça-feira (11) deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.

As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.

No final da noite desta sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais) e voluntários, também estão ajudando e recebem doações.

Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) são enterrados em covas improvisadas. Hospitais estão lotados de feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes.

Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.

- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.

Fonte: R7.com http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias