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Separação de irmãos na adoção: quais as conseqüências para essas crianças? PDF Imprimir E-mail

Separar ou não o grupo de irmãos no processo de adoção?

Segundo psicólogos que trabalham com esses casos, essa separação pode ser algo doloroso e traumático. Poucos casais com intenção de adotar uma criança pensam nesse aspecto e muitas crianças acabam sofrendo com a situação. Nesses casos, precisam de um acompanhamento psicológico e, às vezes, até de medicamentos durante um bom tempo, pois além de se sentirem sozinhas, sentem-se rejeitadas pelo fato do irmão ter sido adotado e ela permanecer no abrigo.

Em Campo Grande, há três abrigos sob a tutela da prefeitura para crianças e adolescentes de diversas idades e que se encontram em situação de risco social, a Casa Abrigo I, Casa Abrigo II e o SOS Abrigo. Muitos desses meninos e meninas estão esperando para serem adotados, juntamente com um ou mais irmãos. "Às vezes chegam a ser sete crianças de uma mesma família", relata a psicóloga Luziclaire da Silva, responsável pelo Projeto Adotar, instituído pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ela diz que a justiça faz o máximo para não separar os irmãos, mas que em alguns casos não tem jeito "quando não há outra maneira, temos que dar a adoção para famílias diferentes, mas tentamos de tudo para que as famílias que adotaram esses irmãos mantenham contato sempre e não deixem esse vínculo se perder", afirma a psicóloga.

Separação de irmãos

Michele Zompero, psicóloga graduada pela Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal) no final de 2005, abordou o tema Separação de Irmãos nos Processos de Adoção em seu Trabalho de Conclusão de Curso e estudou a fundo a questão. Segundo ela, nem todas as crianças ou adolescentes reagem da mesma forma quando se encontram nessa situação, dependendo muito do vínculo que esses irmãos possuem. "Alguns são muito ligados e sofrem demais com a separação. No entanto, outros não possuem a menor ligação afetiva, não se importam se continuarão juntos ou não", afirma a psicóloga.

Aqueles que possuem uma ligação forte sofrem bastante, principalmente o irmão que continua no abrigo. "A criança que continua no abrigo precisa de acompanhamento, ela desenvolve um sentimento de rejeição", explica Michele. Ela relata que já ouviu diversas vezes desses pequenos a frase: "eu não queria ser adotado mesmo". De acordo com a psicóloga, esse é um sintoma de negação que acontece com quase todos que se encontram vivendo em abrigos.

Existe ainda um preconceito muito arraigado na sociedade de que a criança adotada dá problema, vai mal na escola, vira jovem rebelde, mas, conforme Michele, esses são mitos que precisam ser desfeitos. "As pessoas têm que entender que qualquer criança dá trabalho, precisa de atenção, de cuidados e que a adolescência é uma fase difícil, não importa para quem", completa.

Ela conta um caso de uma menina de 16 anos e um menino de nove, irmãos. Eles foram adotados por famílias diferentes, mas que moravam na mesma cidade. As famílias mantiveram o vínculo, no entanto, o garoto não se adaptou e voltaria para o abrigo. A família que havia adotado a irmã decidiu então acolher o menino também. Mas esse, segundo Michele, é um caso isolado. Conforme a psicóloga, a separação dos irmãos, apesar tudo, muitas vezes é necessária e que a prioridade é que a criança tenha uma família pois nem sempre só um irmão é capaz de suprir a necessidade afetiva e familiar.

O que é o Projeto Adotar?

Realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o Projeto Adotar funciona desde 2002, através da 1° Vara da Infância e Juventude de Campo Grande. O Projeto realiza uma reunião mensal, que acontece todas as últimas quartas do mês, das 8 às 10h e tem como função passar todas as informações sobre os procedimentos necessários aos interessados em adotar uma criança.

Luziclaire da Silva, psicóloga responsável pelo Adotar, o primeiro passo para quem pensa em acolher uma criança é participar dessa reunião, depois disso, caso haja interesse, é solicitada toda a documentação dessas pessoas para abertura do pedido de habilitação. Habilitados, os interessados passam por um acompanhamento psicológico e social por parte da equipe de psicologia e assistência social do Projeto, para detectar se há condições da criança ficar naquela família, se há um suporte básico que esses pais adotivos poderão dar a ela, como educação, moradia, saúde e principalmente carinho e uma boa estrutura familiar.

Segundo Luziclaire, 92% das pessoas que já procuraram o projeto entraram com o pedido de adoção e dessas, 51% já estão com uma criança. Ela afirmou que das 46 crianças liberadas para adoção atualmente, 29 já estão com famílias em guarda pré-adotiva e apenas 17 ainda esperam em um abrigo. Sendo que todas as que ainda aguardam têm mais de 7 anos.

Além disso, muitas crianças também são adotadas por famílias de estrangeiros. Maria de Fátima Belé, assistente social do Projeto Adotar, diz que geralmente os casais internacionais preferem crianças até dez anos, uma média de idade maior que a idade em que casais brasileiros estão dispostos a adotar. "Os casais daqui quase sempre procuram crianças até 5 anos, enquanto os de fora são mais maleáveis. Mesmo assim, crianças mais velhas e adolescentes dificilmente são adotados porque a família acha que não vão se adaptar e que é muito arriscado".

Sugestão de Fontes

Michele Zompero - Psicóloga
(67) 3348 8258 / 8119 0909 / 3324 9214

Luziclaire da Silva - Psicóloga responsável pelo Projeto Adotar
(67) 3317 3442 / 3317 3421

Juíza Maria Isabel da Rocha Matos - 1° Vara da Infância e Juventude
(67) 3317 3443

Maria de Fátima Belé - Assistente Social do Projeto Adotar
(67) 3317 3442

Fonte: Girassolidario