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Amor incondicional PDF Imprimir E-mail

"No caso do autismo, você leva para casa um filho normal, belo. Depois é que descobre (o autismo). Tem um momento de luto, de despedida daquele filho com que você havia sonhado. Você não escolhe o autismo. Mas depois você percebe que existem sim as dificuldades e ele precisa ser amado", descreve Fátima Dourado, mãe de dois filhos autistas, que lhe motivaram a fundar a Casa da Esperança. De acordo com ela, quem passa por essa vivência passa a ver as pessoas de forma mais ampla, com todas as diferenças. Os conceitos de mundo, de Deus, vida, amor foram todos reformulados.

A Casa da Esperança não oferece cura, mas acolhimento. "Nós não queremos que chorem por nós. Aqui a gente cultiva a felicidade, o belo. O mundo do autismo é muito melhor do que o que conhecia. Eles são sinceros, verdadeiros, não fazem fofoca, não puxam o tapete dos outros", argumenta. Na Casa, Fátima todos os dias reconhece nas mães a própria história. E não se arrepende de ter mantido os filhos autistas Giordano, 27, e Pablo, 23, no seio familiar, com os outros três filhos, embora, muitos aconselhassem a internação. "As pessoas meio que me olhavam como se eu tivesse um câncer e eu tivesse de tirá-lo", lembra.

Já a carioca Lilian Janebartolomei, 36, mudou-se há quatro meses para Fortaleza, na tentativa de encontrar acolhimento. Segundo ela, o filho, hoje com 4 anos, era considerado superdotado. Com dois anos e meio, ele entrava na internet, tinha um discurso diferente, parecia professor. "Depois, ele passou a ter graves dificuldades de comunicação e problemas comportamentais e nenhuma escola aceitou mais. A vida foi ficando limitada", lamenta. Hoje Lilian é coordenadora terapêutica da Casa da Esperança. "O mundo não foi feito para um ou para outro, mas para todas as diferenças".

Se essas mães não tiveram opção quanto ao autismo dos filhos, a secretária Tatiana Austregésilo, 22, teve. Nora de Fátima Dourado e funcionária da Casa da Esperança, ela já tinha um convívio direto com os autistas. Em meio a eles, a chegada de uma criança, de 3 anos, chamou-lhe atenção. O menino tinha vindo de um abrigo, para ser diagnosticado. "Foi paixão à primeira vista. Ele é lindo, a cara do Gustavo (marido dela). A gente sabe que a adoção é difícil de acontecer, principalmente quando a criança é especial", comenta Tatiana, que decidiu ser mãe de um autista.

Há um mês, o casal conseguiu a guarda do garoto e, no momento, espera pela adoção. Segundo ela, adotar uma criança autista já era um desejo do marido, mas ela queria ter um pouco mais de tempo, ter um filho biológico. Mas a adoção acabou acontecendo antes. "A cada dia, a gente ama mais. Eu nunca ia imaginar que a gente poderia se apaixonar tanto assim". Com relação ao futuro, o maior desejo é vê-lo se desenvolvendo. Enquanto isso, "cada avanço dele é uma vitória".

Fonte: O povo - 12/05/2007